Marcely Costa


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16/03/2004 00:30
Sem querer ser repetitiva, mas já sendo - e esse post fala justamente sobre isso, repetição -, a vida é mesmo como uma onda no mar . Meu humor, por exemplo, é como aquela onda que vem até a beirada e volta, ficando em seu lugar apenas a areia molhada, pra novamente voltar até a beirada num indo e vindo infinito . Mais objetivamente, ora eu estou feliz, minutos depois triste, em outro minuto feliz de novo. Às vezes, feliz ou infelizmente, o intervalo entre um humor e outro aumenta. E minha personalidade também é assim, ora pessimista, ora realista, ora otimista... Ora, Marcely, decida-se!
E agora, mudando completamente o rumo do assunto (embora ele continue a ser eu ), estava vendo que o Word não tem meu nome em seu dicionário. Fiquei indignada, tive que ADICIONÁ-LO! Não, não pode ser, eu, tão ilustre pessoa, não tenho meu nome registrado aqui? Beethoven, que não chega nem aos meus pés, não precisa ser corrigido. Einstein, aquela anta, nem tem correção. E são nomes bem mais complicados que o meu! Onde já se viu isso? Freud, Jesus, Buda, Walt Disney, Camões, Fernando Macedo, Joana D'Arc, Charles Darwin, Letícia, Isaac Newton, Shakespeare, Voltaire, Sócrates, Bach, Mozart... E nenhum sublinhado vermelho em baixo, mas Marcely... Marcely! Não, isso é uma afronta a minha pessoa! Depois de tudo o que fiz pelo mundo, o meu nome não pertence ao mísero dicionário do Word?!
E é por isso que ninguém me respeita! Veja só meu padrasto falando muito sarcasticamente de Camanducaia, Minas Gerais... O QUÊ? Nem Camanducaia, essa cidade especial, a primeira a ter-me em seu solo sagrado, existe nessa porcaria de dicionário? Camanducaia sublinhada? NÃO! Não pode ser! Deixo registrado aqui, como disse ao meu padrasto ao satirizar tão gloriosa terra, que ainda haverá um monumento lá em meu nome. Ainda serei convidada a ir lá inaugurar o maior monumento da Terra, simbolizando o local do meu sagrado nascimento. Ruas em todo mundo terão o meu nome, vocês verão. Minha cidade natal será mais venerada que a terra-santa, meus feitos mais do que qualquer milagre e qualquer mortal, ao dizer meu nome, colocará a mão em seu peito, ajoelhará e glorificará cada dia de minha existência. Milhões de pessoas visitarão meu túmulo, milhões de fãs chorarão o aniversário de minha morte. Alguns, os mais fanáticos, dirão que minha morte foi planejada pelo meu marido que pagou alguém me assassinar por inveja e outros proclamarão aos quatro cantos da Terra o jargão completamente inovador: "Marcely não morreu!". Sim, vocês duvidam? Terei um dia só pra mim, no calendário. Será mais especial que Natal, Ano-novo, ou qualquer outra data.
Então, visitantes do meu blog, sintam-se felizes, pobres vermes inferiores, pois um dia poderão dizer: "Nossa, eu já visitei o blog Dela!".
Brincadeira (acho que isso é óbvio demais)! Estava lembrando agora da história que o meu padrasto contou sobre sua visita ao museu (acho que era museu) do Mozart lá na Áustria (chique, não?). Ele contou que lá nesse museu tinha muitas telas retratando o compositor e um de seus amigos de trabalho fez o seguinte comentário: "Ótimo pintor esse Mozart, não?". E ainda dão um emprego para esse miserável!
Mas, sobre o começo do post - repetições - essa vida nunca muda o rumo, vai e volta. Os pais são sempre os mesmos, os filhos também sempre rebeldes. Os pais dirão sempre que não entendem seus filhos, e os filhos que não entendem seus pais. Os homens acharão as mulheres complicadas, e as mulheres nunca compreenderão os homens. Os sonhos serão sempre os mesmos, as ambições e a esperança. Uns nem terão tudo isso. E eu, que me canso rápido das coisas, nunca me cansarei de cansar do mundo e de tantas repetições. Vai sempre ir e vir aquele dia em que perguntarei: "Pra quê todo esse espetáculo de repetições?", até o dia em que me cansar por não obter respostas, mas ainda assim, sou teimosa, talvez não me canse de querer saber... Mas eu me canso ou não me canso, afinal? Pois é, vivo me contradizendo... Eu me contradizendo? Claro que não! É... eu vivo me contradizendo!
E quanto aos homens e mulheres que não se entendem, deveriam abrir os olhos e ver que humanos é que são complicados, não se trata de uma diferença entre sexos, mas sim uma diferença entre pessoas geral.

Ouvindo: Oh-oh - Icq.
enviada por Marcely






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